maio 08, 2018

Decidido: vou instalar o Debian Sid!



Para quem não está muito familiarizado com as sutilezas envolvidas nas expressões que definem as releases do Debian, pode até parecer loucura alguém decidir instalar e utilizar na sua máquina de produção justamente algo que recebe o nome de "Unstable" (instável). Mas, acredite, é tudo uma questão de contexto semântico.



Para começar, pode ser útil conhecer um pouco melhor as 3 principais releases mantidas regularmente pelo Debian: Stable, Testing e Unstable.


Debian Stable


Trata-se da distribuição de produção, aquela que é recomendada para qualquer tipo de uso ou usuário, pois contém os últimos pacotes oficialmente testados, aprovados e liberados para compor a distribuição que se chama Debian, embora apenas num primeiro momento ela contenha últimas versões do conjunto de software fornecido. Portanto, em princípio, quando falamos de distribuição Debian, é à release Stable (estável) que nos referimos. É importante acrescentar que, mesmo não fornecendo as últimas versões dos aplicativos, o Debian Stable recebe atualizações de segurança periódicas, garantindo a estabilidade, a confiabilidade e, obviamente, a segurança do sistema.


Debian Testing


A distribuição Testing (em testes) funciona, basicamente, como uma preparação para o futuro lançamento de uma release Stable. Ou seja, seus pacotes ainda não foram aceitos como parte da distribuição Stable, mas estão na fila para isso. Assim como na distribuição oficial, o Testing também recebe atualizações de segurança, mas já traz versões mais recentes do software distribuído, o que torna esse release muito mais atraente para quem precisa (ou apenas gosta) de versões mais atuais dos seus programas. Como se trata de uma distribuição em construção, que visa se tornar o ramo estável, chega um momento em que é preciso congelar a entrada de novidades, e é isso que o pessoal do Debian chama de "freeze".


Debian Unstable


Já a distribuição Unstable (instável), apelidada de "Sid", é onde todo o trabalho de desenvolvimento do Debian acontece. Tradicionalmente, ela contém pacotes nas mesmas versões da release Testing, exceto quando acontece o "freeze" e apenas as atualizações críticas são repassadas para o ramo Testing. Uma diferença importante entre a release Unstable e as demais, é que as atualizações de segurança não são gerenciadas pela equipe de segurança. Isso não quer dizer que não existam atualizações de segurança! Elas acontecem, só não são gerenciadas pela equipe responsável por isso nas releases Testing e Stable e, portanto, seguem tempos diferentes.



Então, por quê optar pelo Unstable?


Certa vez, um usuário do /r/debian definiu assim as três releases, e isso resume basicamente tudo:

O Stable nunca quebra,
o Unstable é consertado imediatamente,
e o Testing nenhum dos dois.


No sentido de "dar defeito", e não no contexto do dinamismo do desenvolvimento, tanto o Testing quanto o Unstable são "instáveis", mas eles diferem muito quanto à profundidade e ao tipo de instabilidade. De forma geral, é muito mais provável você ser obrigado a reinstalar o Debian se estiver usando o ramo Testing. Mesmo que não seja um caso tão drástico, as soluções para essas eventualidades geralmente chegam na release Unstable dias (às vezes semanas) antes de alcançarem o ramo Testing.

Fora esse aspecto, o modo de pensar o uso e a necessidade de se instalar o Debian Unstable é um pouco diferente. Como os aplicativos do Sid estão na versão mais recente, não faz mais tanto sentido ficar atualizando diariamente (ou várias vezes por dia) e isso, por si só, já reduz os riscos de quebra. É sempre melhor deixar para fazer atualizações quando houver notícia de algo importante ou que justifique o risco. Aliás, até em função dessa periodicidade mais livre de atualizações, não custa nada ficar de olho na lista de e-mail dos desenvolvedores e nos relatos de bugs para saber se algo vem dando dores de cabeça por aí.

Algumas outras boas práticas recomendadas para uma boa experiência com o Debian Unstable, entre várias outras que não caberiam aqui, seriam:

  • Preferir ambientes gráficos mais simples, como Openbox, i3wm, FluxBox, etc;
  • Sempre fazer um apt update antes de instalar qualquer coisa pelos repositórios;
  • Usar alguma ferramenta de restauração do sistema;
  • Manter a pasta /home em uma partição separada;
  • Apenas fazer apt dist-upgrade quando tiver certeza de que é seguro.


Não é só isso que vai garantir a estabilidade "de fato" do sistema de quem utiliza o Debian Sid, mas é um bom começo.

O mais importante é você conhecer bem onde está se metendo, quais são os riscos e como evitá-los. Para esse propósito, valem inclusive soluções sem qualquer relação direta com o sistema. Você pode, por exemplo, manter uma imagem do Debian Unstable em máquina virtual apenas para verificar se a atualização pode causar algum problema. Pode usar um notebook aposentado para isso.

Dá mais trabalho? Sim! Mas, se você realmente quer se beneficiar de um sistema sólido, atual e totalmente integrado às suas necessidades, o esforço extra compensa e muito!









Nenhum comentário:

Postar um comentário